Crescemos juntos... Construimos caminhos... Pontes... Voos...

Em busca da luz, do amanhecer, da plenitude, do esplendor de ser, sendo. Em POIESIS.

Do poema de Sophia de Mello Breyner Andresen:
 "Um dia quebrarei todas as pontes / Que ligam o meu ser, vivo e total, / À agitação do mundo do irreal, / E calma subirei até às fontes. / Irei até às fontes onde mor​a / A plenitude, o límpido esplendor ​/ ​Que me foi prometido em cada hora, ​/ ​E na face incompleta do amor. ​/​ Irei beber a luz e o amanhecer, ​/ ​Irei beber a voz dessa promessa ​/ ​Que às vezes como um voo me atravessa, ​/ ​E nela cumprirei todo o meu ser."

"Seguir em frente é ir longe. Ir longe é voltar a casa".

Com Constantino Kabvafis:  

"Se partires um dia rumo à Ítaca
Faz votos de que o caminho seja longo
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem lestrigões, nem ciclopes,
nem o colérico Posidon te intimidem!
Eles no teu caminho jamais encontrarás
Se altivo for teu pensamento
Se sutil emoção o teu corpo e o teu espírito tocar.
Nem lestrigões, nem ciclopes
Nem o bravio Posidon hás de ver
Se tu mesmo não os levares dentro da alma
Se tua alma não os puser dentro de ti.
Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
Nas quais com que prazer, com que alegria
Tu hás-de entrar pela primeira vez um porto
Para correr as lojas dos Fenícios
e belas mercancias adquirir.
Madrepérolas, corais, âmbares, ébanos
E perfumes sensuais de toda espécie
Quanto houver de aromas deleitosos.
A muitas cidades do Egito peregrinas
Para aprender, para aprender dos doutos.
Tem todo o tempo Ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas, não apresses a viagem nunca.
Melhor muitos anos levares de jornada
E fundeares na ilha, velho enfim.
Rico de quanto ganhaste no caminho
Sem esperar riquezas que Ítaca te desse.
Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te ponhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu
Se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência.
E, agora, sabes o que significam Ítacas."

 

A educação e a formação são viagens-pontes que nos atravessam, (en)formam e atualizam todo o saber no imaginário da nossa cultura . "A odisseia do conhecimento estimula e recria  a memória, constrói as lições da experiência e põe-nos à prova reclamando nova viagem. Toda  a apropriação de conhecimento  talvez possa seguir esta metáfora antiga: uma viagem, um regresso, uma nova partida.
O sentimento de sermos reconhecidos e de reconhecermos o sítio da História, o local da civilização a que pertencemos, a que aspiramos pertencer, falta agora recomeçar a viagem, partilhar com os outros a sede e a fome de saber, e fazer com eles o díficil e permanente caminho da experiência." (José Mariano Gago)


"A Educação/Fomação como bem comum a preservar e promover, visa, por um lado, a aquisição de ferramentas técnicas e de capacidades intelectuais para compreender os fundamentos teóricos da técnica e das ciências e, por outro,o estímulo à criatividade e capacidade inovadora e ao exercício da curiosidade para explorar novos domínios do conhecimento. (...)
É essencial a tomada de consciência do papel da Escola e dos agentes educativos na sua vocação para criar "o tempo e a oportunidade para a interrogação, a procura, a comparação, a estruturação do saber, dialogando sem complexos com os conteúdos, formas de expressão e estratégias argumentativas dominantes na cultura audio-visual e digital. Os próprios processos e métodos de ensino dominantes podem, através e por força deste diálogo, sofrer evoluções positivas dando mais espaço ao modelo interlocutivo de aprendizagem, mais motivador, porque mais próximo da vida e da cultura vivida e mais estimulante na perspetiva da cidadania com enfoque nos pilares  da Educação, em particular  Aprender a Viver com os Outros e Aprender a Ser." (...) (José Madureira Pinto)

 

É necessário insistir na revalorização ética da vida ao longo da educação, da formação e da aprendizagem por referência a um conceito de aprendizagem socialmente responsável e sustentável. Uma aprendizagem crítica, não mimética, implica não só conhecer e seguir as regras heterónomas, mas também ser capaz de quebrá-las para assim, desaprendendo poder voltar a aprender; (...) exige intimidade com os conteúdos e as técnicas, mas também distância crítica que fomente a sua reinvenção." (Licínio Lima)

 

Com a poesia de João Cabral de Melo Neto:

O SIM CONTRA O SIM

Miró sentia a mão direita
       demasiado sábia
       e que de saber tanto
já não podia inventar nada.

Quis então que desaprendesse
       o muito que aprendera,
       a fim de reencontrar
a linha ainda fresca da esquerda.

Pois que ela não pôde, ele pôs-se
       a desenhar com esta
       até que, se operando,
no braço direito ele a enxerta.

A esquerda (se não se é canhoto)
       é mão sem habilidade;
       reaprende a cada linha,
cada instante, a recomeçar-se.

A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse:
“Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre." (José Saramago)

Pontes-sabedoria - que o céu entreaberto nos devolva a esperança!


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